Sarcoma de partes moles: como identificar e tratar

Home / sarcoma de partes moles / Sarcoma de partes moles: como identificar e tratar

Sarcoma de partes moles: como identificar e tratar

Diante de um paciente com um tumor de partes moles, o profissional que o atender na primeira vez deverá, obrigatoriamente, pensar que pode se tratar de um sarcoma de partes moles.

Apesar de raro (apenas 1% dos tumores de partes moles são sarcomas), o manejo incorreto em um primeiro momento pode ocasionar sequelas graves.

Primeiro passo: exame de imagem

A primeira atitude a ser tomada após a avaliação clínica com a anamnese e o exame físico é a realização de uma avaliação do tumor por meio de um exame de imagem. Esse exame pode ser a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada. A nossa preferência é pela ressonância magnética, pois permite uma melhor avaliação das características do tumor e da sua relação com as estruturas vizinhas.

Segundo passo: biópsia do tumor

Após a avaliação inicial pelo exame de imagem, devemos realizar a biópsia do tumor. A biópsia consiste na retirada de um fragmento tumoral que é enviado para o médico patologista classificar o tumor. A biópsia deverá ser realizada, preferencialmente, pelo cirurgião que irá conduzir a cirurgia definitiva, pois o planejamento cirúrgico envolverá a ressecção da incisão da biópsia prévia. Trata-se de um princípio da cirurgia oncológica.

A biópsia pode ser realizada de três formas principais:

a. BIÓPSIA INCISIONAL – retirada de um fragmento do tumor através de uma pequena incisão na pele e nos tecidos subjacentes a ela.
b. BIÓPSIA EXCISIONAL – retirada de todo o tumor sem preocupação com as margens de segurança. É um procedimento diagnóstico e está indicado em lesões menores e superficiais, como, por exemplo, em um nódulo de 3 cm localizado no tecido subcutâneo.
c. BIÓPSIA COM AGULHA (CORE BIOPSY) – retirada de um “filete” do tumor com auxílio de uma agulha especial utilizada para este procedimento. São realizadas várias retiradas de filetes, geralmente cinco fragmentos, em leque. Este procedimento pode ser realizado no ambulatório, com anestesia local. Fornece material adequado para avaliação do patologista, além de apresentar menores taxas de infecção, ulceração e sangramento quando comparadas com os outros tipos de biópsia.
Análise do material da biópsia

Após a análise do material, o médico patologista tentará fornecer as principais características do tumor para que o cirurgião possa abordá-lo de forma correta. A primeira delas é saber se o tumor é maligno ou benigno. Caso seja maligno, precisamos saber se ele é de baixo ou alto grau. Depois de avaliar a imagem do tumor e do laudo histopatológico, é hora do cirurgião planejar o tratamento. A cirurgia com margens oncológicas deverá ser a cirurgia escolhida.

Mas, como é realizada a cirurgia com margens oncológicas?

Margens exíguas podem ser utilizadas para preservar estruturas nobres como o feixe vasculo nervoso e o osso. A cicatriz da biópsia prévia deverá ser ressecada em bloco com todo o tumor.
Quando as estruturas neuro vasculares não estiverem infiltradas grosseiramente pelo tumor, tanto a adventícia dos vasos como o perineuro dos nervos podem ser consideradas margens adequadas.

Para auxiliar no planejamento da radioterapia pós-operatório, grampos metálicos são utilizados para demarcar a área onde o tumor se alojava. A avaliação das margens deverá ser realizada pelo patologista no momento da ressecção do tumor. O objetivo do cirurgião é a obtenção de margens livres com preservação da função onde o tumor se encontrava. Nos casos de margens comprometidas pelo tumor, deve-se considerar uma nova abordagem cirúrgica ou utilizar a radioterapia complementar. A radioterapia adjuvante deverá ser considerada quando as margens forem exíguas ou tiverem comprometimento microscópico sobre os vasos principais, ossos e nervos.

Leave a Reply

Your email address will not be published.