Melanoma: conheça a classificação

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Melanoma: conheça a classificação

A classificação do melanoma proposta por Clark foi estabelecida na década de 70 e categorizou esse tipo de câncer em três tipos principais: o melanoma de disseminação superficial (MDS), o melanoma lentigo maligno (MLM) e o melanoma medular (MN).

Esta classificação está baseada nos aspectos microscópicos do melanoma e no padrão de crescimento da lesão, e está associada com aspectos clínicos como idade e localização do tumor primário. Posteriormente, em 1976, RJ Reed descreveu, pela primeira vez, o melanoma acrolentiginoso.

Ackerman e a unificação do conceito de melanoma

Na década de 80, Ackerman questionou a existência de melanoma com características biológicas distintas e propôs uma unificação do conceito desse tipo de câncer. Ele defendia que  os melanomas apresentava inicialmente uma fase de crescimento radial (FCR) e, posteriormente, em algum momento, um determinado clone de células se diferenciava e evoluía para a fase de crescimento vertical (FCV).

Ainda segundo ele, as diferenças dos aspectos morfológicos estavam intimamente relacionadas à localização da lesão primária e, no caso do melanoma nodular (MN), os aspectos morfológicos diferentes poderiam ser consequência da velocidade do crescimento tumoral. De fato, não existe diferença na sobrevida do paciente, de acordo com a classificação de Clark quando ajustado pela espessura de Breslow.

Surge um novo sistema de classificação

Com o objetivo de integrar as características clínicas e patológicas do melanoma e relacioná-las com as alterações genéticas identificadas, Bastian el al., propuseram um novo sistema de classificação. E como eles fizeram isso? Correlacionando as alterações genéticas nos oncogenes BRAF, NRAS e KIT com a localização do tumor primário e o grau de dano solar crônico na pele em torno da lesão primária.

Com base nessa observação, Bastian classificou o melanoma em quatro grupos: melanoma em pele com dano solar crônico (melanoma-DSC), melanoma em pele sem dano solar crônico (melanoma- SDSC), melanoma na região palmo-plantar e sub-ungueal (melanoma acral) e o melanoma nas membranas mucosas (melanoma de mucosa).

O melanoma-SDSC corresponde ao MDS na classificação de Clark, o melanoma-DSC ao MLM, e o melanoma acral ao MAL. O melanoma nodular foi excluído desta classificação porque ele pode surgir em qualquer localização anatômica e não apresenta uma alteração genética específica que o classifique como um determinado subtipo.

Os melanomas-SDSC apresentam frequência elevada de mutação no BRAF (em torno de 75%), enquanto os outros tipos, melanoma-DSC, melanoma acral e melanoma de mucosa apresentam baixa frequência de mutação no BRAF. No entanto, estes outros tipos de melanoma apresentam diferentes modelos de alterações genéticas como mutação no KIT, assim como amplificação da ciclina D1(CCND1) e no CDK4. Essas alterações demonstram a existência de vias genéticas distintas no desenvolvimento do melanoma, dependendo da localização anatômica da lesão primária.